Início Mundo 266 milhões enfrentam insegurança alimentar aguda em 2025, aponta relatório global

266 milhões enfrentam insegurança alimentar aguda em 2025, aponta relatório global


Da redação

A insegurança alimentar aguda dobrou na última década, com dois casos de fome declarados em 2025, segundo o Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026. O estudo, divulgado nesta sexta-feira, destaca que dez países concentram dois terços dos afetados, enquanto contextos lusófonos como Moçambique enfrentam crise nutricional moderada.

De acordo com o relatório, Afeganistão, Bangladesh, República Democrática do Congo, Mianmar, Nigéria, Paquistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen são os países mais impactados. Em Moçambique, chuvas intensas desde dezembro de 2025 provocaram inundações graves, deslocando moradores e devastando áreas agrícolas em diversas províncias do país.

O estudo aponta que a insegurança alimentar em Moçambique também foi agravada por ciclones, pragas e pelo conflito em Cabo Delgado. Apesar do cenário desafiador, o documento indica que a situação nutricional no país é classificada como moderada, sugerindo níveis mais baixos de desnutrição aguda ou maior capacidade para evitar piora do quadro.

Em nível global, o relatório destaca crises de fome identificadas em 2025 em Gaza e partes do Sudão. É a primeira vez que duas crises deste tipo são confirmadas em diferentes contextos no mesmo ano desde o início do acompanhamento. “Isso sinaliza uma forte escalada nas formas mais extremas de fome e desnutrição”, afirmam os responsáveis.

No ano passado, 266 milhões de pessoas em 47 países ou territórios foram afetadas por altos níveis de insegurança alimentar aguda, quase 23% da população analisada. Cerca de 35,5 milhões de crianças sofreram desnutrição aguda em 2025, incluindo quase 10 milhões em situação severa. Mais de 85 milhões foram deslocadas à força em contextos de crise alimentar.

Para 2026, o relatório alerta para a continuidade crítica da insegurança alimentar aguda, especialmente onde conflitos, variabilidade climática e incerteza econômica persistem. O estudo é elaborado por uma rede internacional de órgãos das Nações Unidas, União Europeia, governos e organizações não governamentais.