Da redação do Conectado ao Poder
Ministério Público Eleitoral considera pena desproporcional e defende apenas aplicação de multa ao governador de Goiás

O procurador regional eleitoral de Goiás, Marcello Wolff, recomendou a anulação das penas de inelegibilidade e cassação do mandato do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel. Em parecer divulgado nesta segunda-feira (10), Wolff argumentou que as penalidades impostas pela Justiça Eleitoral em dezembro de 2024 foram excessivas e que a punição mais adequada seria a aplicação de multas. A condenação inicial apontava abuso de poder político devido a eventos promovidos no Palácio das Esmeraldas durante as eleições municipais.
Segundo a denúncia apresentada pelo Partido Liberal (PL), Caiado teria usado sua posição para favorecer Mabel, seu aliado político, ao organizar reuniões com vereadores eleitos logo após o primeiro turno. A Justiça considerou a prática como tentativa de interferência no pleito e impôs a inelegibilidade por oito anos para ambos. No entanto, Wolff ponderou que os encontros ocorreram a portas fechadas, sem público ou transmissão ao vivo, o que não justificaria uma penalidade tão severa.
Em sua análise, o procurador reconheceu que os eventos poderiam ter causado algum impacto na disputa eleitoral, mas ressaltou que não há provas de que tenham alterado o resultado das eleições. “As condutas praticadas pelos investigados não se revestiram de gravidade suficiente para comprometer a normalidade e/ou a legitimidade do pleito”, declarou Wolff. O parecer sugere a substituição da inelegibilidade por multas de R$ 60 mil para Caiado e R$ 40 mil para Mabel.
O documento será agora analisado pela Justiça Eleitoral, que decidirá se acata a recomendação do Ministério Público. Caso a sentença seja reformada, Caiado e Mabel poderão continuar exercendo seus mandatos sem restrições políticas. A decisão final cabe ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO).




