Da redação
Especialistas apontam que 2026 será o “teste de fogo” da agenda de sustentabilidade no Brasil, após a fase de construção de instrumentos e regulamentações em 2024 e 2025. A cobrança por resultados concretos tende a aumentar, em um ano que começa sob nova crise geopolítica global e será marcado por eleições presidenciais no país. A atenção pode se desviar do clima, mas a necessidade de acelerar a transição e investir em resiliência se torna cada vez mais urgente diante de eventos extremos.
Anna de Souza Aranha (Quintessa), Maria Eugênia Buosi (Nature Investment Lab), Viviane Romeiro e João Leal (Cebds) pontuaram ao Reset desafios centrais, como o avanço regulatório e de financiamento. O decreto assinado por Lula em dezembro de 2025, que envolve quatro ministérios no planejamento para reduzir a dependência de combustíveis fósseis até fevereiro, é citado como um marco. “É ousado e desafiador, com desdobramento estratégico inequívoco em 2026”, afirma Romeiro.
Apesar de avanços, a competitividade dos negócios sustentáveis ainda precisa ser provada. Buosi alerta que relatórios ESG (IFRS S1 e S2) obrigatórios para empresas de capital aberto vão ajudar a reduzir a assimetria de informações e aproximar sustentabilidade e resultados financeiros. “Sustentabilidade precisa demonstrar ganhos de produtividade, redução de riscos e escalabilidade”, diz.
Acesso a capital segue um entrave central, especialmente para projetos menores, segundo Buosi. Iniciativas como o mecanismo de garantias do Nature Investment Lab buscam facilitar investimentos. Em ano eleitoral, insegurança jurídica pode afetar o apetite de investidores. “O caminho mais seguro é transformar agendas em políticas de Estado”, afirma Romeiro, referindo-se a iniciativas criadas por decreto.
No cenário internacional, o retorno de Trump e tensões entre EUA e Venezuela impactam a agenda ambiental, mas especialistas enxergam avanço da China em tecnologias de baixo carbono. Por fim, a adaptação vira prioridade frente ao aumento dos eventos extremos, e coalizões entre empresas, governos e sociedade civil são vistas como caminho para viabilizar ações em escala.







