Da redação
O Distrito Federal (DF) se consolida como destaque na venda de veículos eletrificados no Brasil, ocupando o segundo lugar nacional em 2023, com 21.639 unidades vendidas, atrás apenas de São Paulo (68.618). Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o DF registrou um aumento de 42,73% nas vendas em 2024 (15.161) e, apenas em dezembro, o crescimento chegou a 55,45%, saltando de 1.964 para 3.053 veículos comercializados em comparação ao ano anterior. O segmento compreende veículos 100% elétricos (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos sem recarga externa (HEV e HEV Flex).
Ricardo Bastos, presidente da ABVE, avalia o desempenho como “expressivo” e acima da média nacional. Ele credita o resultado a benefícios fiscais, como a isenção do IPVA, além do perfil do consumidor local, interessado em tecnologia e sustentabilidade. “A performance superou em mais de 10 vezes o crescimento da indústria automobilística como um todo”, destacou Bastos.
O avanço, entretanto, enfrenta desafios, especialmente em condomínios residenciais, cuja infraestrutura elétrica é, muitas vezes, inadequada para instalação de carregadores. Delzio Oliveira, assessor jurídico do SindiCONDOMÍNIO-DF, aponta que menos de 10% dos apartamentos podem instalar pontos de recarga, sobretudo em prédios antigos, devido à necessidade de adequações estruturais e à resistência de condôminos sem intenção de adquirir veículos eletrificados.
No aspecto regulatório, em agosto de 2023, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros editou diretriz para segurança contra incêndio e controle de riscos em garagens com pontos de recarga. Para os usuários, como o arquiteto Rogério Markiewicz, a economia no uso do carro elétrico é concretamente sentida, embora haja carência de oficinas especializadas no DF.
As entidades destacam a importância de expandir a infraestrutura e garantir a segurança nas instalações. Procurado, o Governo do DF não se pronunciou sobre novos incentivos, criação de pontos de recarga ou fiscalização em condomínios até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.






