Da redação
Arquivos encontrados no celular do empresário Mauricio Novelli reacenderam a polêmica sobre o envolvimento do presidente argentino Javier Milei no escândalo da criptomoeda $Libra. Segundo investigação do Ministério Público argentino, documentos e registros de ligações sugerem um acordo de US$ 5 milhões (R$ 26,3 milhões) para Milei apoiar Hayden Davis, CEO da Kelsier Ventures, responsável pelo lançamento do criptoativo.
O memorando localizado no aparelho indica que o suposto acordo previa US$ 1,5 milhão como adiantamento, mais US$ 1,5 milhão por uma publicação no X (ex-Twitter) anunciando Davis como conselheiro, e outros US$ 2 milhões após assinatura contratual pessoalmente com Karina Milei, irmã do presidente. Milei, que promoveu a criptomoeda em sua conta no X no dia 14 de fevereiro, apagou o post pouco depois, episódio que antecedeu o colapso no valor do ativo.
Contrariando declarações do presidente de que não tinha proximidade com os empresários e que atuou como pessoa física, a perícia no telefone indica que o apoio de Milei estava em negociação. Questionada, a Presidência afirmou que já prestou esclarecimentos via rede social, enquanto o chefe de Gabinete, Manuel Adorni, afirmou que o governo não comentará “versões, notas ou análises jornalísticas”.
O documento detalha encontros entre Novelli, Davis e Milei, evidenciando que as operações ligadas ao $Libra estavam em planejamento há meses, com registros de transferências financeiras suspeitas. O caso é investigado na Argentina e nos Estados Unidos, analisando possível fraude do tipo “rug pull”, quando o valor da criptomoeda é inflado e retirado rapidamente, prejudicando investidores menores.
Mesmo diante do escândalo, Milei não comentou o caso em discurso de 90 minutos realizado em Córdoba nesta segunda-feira (16), onde focou sua fala na defesa da política econômica de seu governo. A investigação sobre o caso continua, apesar de avanços limitados no Congresso argentino.







