Início Mundo Especialista alerta para o agravamento da crise de direitos humanos no Irã

Especialista alerta para o agravamento da crise de direitos humanos no Irã


Da redação

Em meio à intensificação das tensões militares no Oriente Médio, a relatora especial sobre a Situação dos Direitos Humanos na República Islâmica do Irã, Mai Sato, pediu ao governo iraniano que cesse imediatamente o uso excessivo da força contra civis, liberte os detidos por exercerem suas liberdades fundamentais, restabeleça o acesso irrestrito à internet e permita o trabalho da sociedade civil. As declarações foram feitas em comunicado divulgado nesta segunda-feira, em Genebra.

Sato destacou que é necessário priorizar o povo iraniano em qualquer solução, defendendo o fim da escalada militar e a retomada do diálogo político imediato entre as partes. Ela afirmou que “a comunidade internacional deve garantir que a prestação de contas e a proteção do povo iraniano permaneçam como prioridades máximas.”

O relatório da relatora examina os impactos dos protestos iniciados em 28 de dezembro de 2025, apontando denúncias vindas inclusive de pessoas sem histórico ativista, que compartilharam relatos pessoais sob riscos consideráveis. Sato ressaltou que as manifestações atingiram todo o país, reunindo diferentes setores da sociedade pelo desejo de um futuro diferente.

Segundo a relatora, muitos manifestantes – incluindo crianças – foram alvo de tiros à queima-roupa e espancamentos por forças de segurança. Dezenas de milhares de pessoas, além de médicos e advogados, foram detidos de forma arbitrária, mantidos incomunicáveis e forçados a fazer confissões transmitidas pela TV estatal. Alguns detidos agora enfrentam a pena de morte. Hospitais foram invadidos e profissionais de saúde agredidos, enquanto famílias dos mortos ou desaparecidos relataram pressões para se manterem em silêncio.

O aumento das execuções em 2025, sobretudo por crimes ligados a drogas, homicídio e segurança, continuou em 2026 durante os protestos. Após os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã e as respostas iranianas, iniciados em 28 de fevereiro, cerca de 600 mil a 1 milhão de famílias (até 3,2 milhões de pessoas) ficaram temporariamente deslocadas no país, segundo a Agência da ONU para Refugiados (Acnur). Mai Sato enfatizou a necessidade de visitar o Irã, visita ainda não autorizada pelo governo.