Da redação
As eleições parlamentares na Hungria, marcadas para este domingo (12), têm potencial para reduzir a tensão persistente entre o país e a União Europeia. O governo de ultradireita, liderado por Viktor Orbán há 16 anos, é considerado o único regime autocrático do bloco. Orbán minou diversas instituições democráticas, alinhando-se a Vladimir Putin e sendo elogiado por Donald Trump.
De acordo com pesquisa do instituto Idea, o partido Fidesz, de Orbán, aparece em segundo lugar nas intenções de voto, com 30%, seguido pelo Mi Hazánk, com 21%. Em primeiro está o Tisza, do opositor Péter Magyar, com 39%. Apesar da liderança, Magyar não incluiu a redemocratização em sua plataforma, o que se explica por seu histórico: foi aliado de Orbán até romper com o regime e fundar seu próprio partido de centro-direita em 2024.
Projeções do instituto Median apontam que o Tisza pode conquistar dois terços das cadeiras parlamentares, o que viabilizaria não apenas a posse de Magyar como primeiro-ministro, mas também a possível aprovação de uma reforma constitucional e a promessa de melhorar relações com Bruxelas, incluindo a entrada da Hungria na zona do euro até 2030.
A expectativa é que uma maioria favorável ao Tisza possa restaurar direitos e equilibrar instituições após a erosão promovida por Orbán. Acesso a €18 bilhões em fundos europeus, hoje bloqueados devido ao autoritarismo do governo, também depende dessa mudança.
O risco de sanções da União Europeia permanece caso Budapeste não altere seu curso político. Denúncias de interferência eleitoral, feitas por Washington e Moscou, são vistas apenas como estratégias para contestar eventuais derrotas nas urnas. Os húngaros, agora, enfrentam a chance de retomar práticas democráticas em uma eleição esperada para ser livre e justa.






