Da redação
Interrupções no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, em decorrência do conflito no Oriente Médio, ameaçam comprometer o fornecimento global de combustíveis e fertilizantes essenciais para a próxima safra agrícola. O alerta foi feito pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que prevê risco de aumento nos preços dos alimentos e nova onda inflacionária ainda em 2024, caso os navios não retomem a navegação em breve.
Segundo o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, já há impacto significativo: entre 30% e 35% do petróleo bruto, 20% do gás natural e entre 20% e 30% dos fertilizantes não estão sendo movimentados pela região. Torero explicou que, embora os estoques atuais assegurem certa resiliência ao sistema agroalimentar, essa margem de segurança pode ser curta e insuficiente diante de uma crise prolongada.
O especialista destacou que, com a proximidade do plantio, agricultores poderão enfrentar custos mais altos e dificuldade de acesso a fertilizantes, o que pode reduzir a utilização dos insumos e impactar diretamente a produtividade nas próximas colheitas. De acordo com a FAO, o Índice de Preços dos Alimentos manteve-se estável em março devido à ampla oferta de commodities, especialmente cereais, mas a pressão deve aumentar em abril e maio.
Diante da incerteza, a FAO recomenda medidas preventivas, incluindo financiamento internacional para países ameaçados pelo acesso restrito a fertilizantes, especialmente porque o período de plantio já começou. O recente cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã aumentou as expectativas de retomada do tráfego no estreito, mas negociações mediadas pelo Paquistão no fim de semana não tiveram avanços.
Vários navios continuam retidos no Golfo, com novos carregamentos aguardando para entrar no Estreito de Ormuz. Mesmo que as tensões diminuam, a normalização das operações pode levar dias ou semanas, elevando ainda mais as incertezas para a próxima safra agrícola mundial.






