Da redação
Acidente fatal marca início das obras de duplicação da “Rodovia da Morte”
Belo Horizonte – Um grave acidente marcou o início das obras de duplicação da BR-381, conhecida como “Rodovia da Morte”, nesta quarta-feira (15), próximo ao distrito de Ravena, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O cinegrafista Rodrigo Lapa, de 50 anos, morreu no local e a repórter Alice Ribeiro, de 35 anos — que havia retornado de licença-maternidade há dois meses — está em coma no Hospital de Pronto Socorro João XVIII.
O acidente ocorreu por volta das 12h45, no km 438, minutos depois de a dupla da Band Minas realizar uma entrada ao vivo sobre os perigos da rodovia e o início das obras do Lote 8A, abrangendo 18 km entre Caeté e Ravena. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o carro da emissora invadiu a contramão e colidiu frontalmente com um caminhão. O caminhoneiro afirmou à imprensa que tentou evitar o choque, mas não conseguiu. O resgate durou 40 minutos.
Dados da PRF mostram que, entre 2018 e 2023, a BR-381 registrou 3.960 acidentes com 420 mortes. Só no primeiro semestre de 2025, houve 74 mortes na rodovia – o maior número em rodovias federais de Minas Gerais. O Guia CNT de Segurança nas Rodovias 2026 aponta o trecho entre os km 430 e 440 como o mais perigoso, com 58 acidentes e 10 mortes em doze meses.
No fim de março de 2026, o governo federal autorizou as obras do Lote 8A, com R$ 405 milhões de investimento. A duplicação, que inclui viadutos e passarelas, tem previsão de conclusão para o primeiro semestre de 2028. A concessão de 296,3 km à 4UM Investimentos prevê R$ 9,34 bilhões em melhorias em outros trechos.
O acidente gerou manifestações de pesar do Sindicato dos Jornalistas, do governador Mateus Simões e da Secretaria de Estado de Comunicação Social. Enquanto as investigações continuam, o episódio reforça a urgência das obras e o alto preço cobrado pela BR-381, que ainda faz jus ao triste apelido de “Rodovia da Morte”.






