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Diferenças entre terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos no Brasil


Da redação

Terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos assumem papel crescente na transição energética, atraindo atenção mundial em 2024. No Brasil, o destaque se deve ao potencial mineral do país, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), que indica posição de protagonismo frente à demanda global por tecnologia e energia limpa.

Os elementos terras raras compõem um grupo de 17 elementos químicos essenciais para aplicações como turbinas eólicas, carros elétricos, eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar do nome, esses minerais não são tão raros na natureza, mas sua dispersão dificulta a exploração em escala econômica.

Minerais estratégicos, conforme o SGB, são considerados fundamentais para o desenvolvimento nacional e para setores de alta tecnologia e defesa. Já minerais críticos são definidos pelo risco de interrupções no abastecimento, normalmente devido à concentração geográfica da produção, dependência externa e fatores geopolíticos.

No Brasil, as terras raras estão concentradas em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, totalizando 21 milhões de toneladas — segundo maior volume mundial, representando 23% das reservas globais. O país também lidera em nióbio (94% das reservas mundiais), ocupa a segunda colocação em grafita e a terceira em níquel.

A lista de minerais estratégicos determinada pelo Ministério de Minas e Energia, na Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, inclui desde minérios importados, como enxofre e potássio, até minerais essenciais em alta tecnologia e aqueles com vantagem na balança comercial, como ferro, nióbio e alumínio.

O controle chinês sobre o refino de terras raras gera tensões globais, levando Estados Unidos e União Europeia a buscarem novos fornecedores. Analistas apontam que o Brasil precisa investir em beneficiamento e refino para agregar valor à produção, já que atualmente exporta principalmente matéria-prima e importa produtos industriais com maior valor agregado.

De acordo com Luiz Jardim Wanderley, professor de Geografia da UFF, esse padrão de exportação primária se repete historicamente no Brasil: “Exporta-se muito, consome-se pouco no mercado nacional”. O especialista alerta que “não existe mineração sustentável”, apontando impactos ambientais e sociais, como degradação dos recursos hídricos, aumento da desigualdade e violência local.