Da redação
O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, conhecido como Chico Lopes, morreu nesta quinta-feira (7), no Rio de Janeiro. Ele estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo. A informação foi confirmada na sexta-feira (8) por comunicado da família, que não divulgou a causa do falecimento.
Chico Lopes nasceu em 1945 e teve trajetória marcante como ex-presidente interino do Banco Central (BC), função exercida em janeiro e fevereiro de 1999. Ele foi sucedido por Armínio Fraga após um período turbulento, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, quando o país enfrentava uma grave crise cambial.
Durante sua curta presidência, Lopes comandou a transição do regime de câmbio administrado para o regime flutuante e lidou com a polêmica intervenção nos bancos Marka e FonteCidam, então afetados pela alta do dólar. Segundo o economista, as medidas eram legais e buscavam evitar uma crise financeira mais ampla. O episódio foi tema de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
O Banco Central lamentou a morte e destacou que Lopes contribuiu com a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária (Copom), considerado um avanço para garantir previsibilidade e rigor técnico nas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. O órgão afirmou que Chico Lopes “marcou a história da estabilização econômica brasileira”.
Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutor por Harvard, Lopes foi professor da PUC-Rio e da Universidade de Brasília (UnB), além de fundador da consultoria Macrométrica. Ele também atuou no Ministério da Fazenda em 1987.
O velório de Chico Lopes será realizado neste sábado (9), no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, com cerimônia marcada para as 13h e cremação às 16h. Lopes deixa a esposa, Ciça Pugliese, três filhos e sete netos. Em sua carreira, participou de debates sobre planos anti-inflacionários e na consolidação do Real.







