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Casos de violência sexual contra menores triplicam em dez anos e chegam a 59 mil

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Da redação

O Brasil registrou mais de 59 mil casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça. O volume representa um aumento de 204,5% em relação a 2015, quando houve 19.496 ocorrências, e mantém o país em patamar recorde. Nesta segunda-feira (18) celebra-se o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Desde 2015, o painel nacional aponta 486.001 vítimas, média de 121 registros por dia. Entre 2023 e 2025, os números anuais superaram 59 mil casos. Em 2023 foi registrado o pico da série histórica, com 59.779 notificações. Os dados incluem também violência sexual contra pessoas com deficiência e outras vítimas consideradas vulneráveis.

A maioria das vítimas é do sexo feminino, representando 84,7% do total entre 2015 e 2025, conforme dados oficiais. Em 2025, a taxa nacional foi de 27,82 vítimas a cada 100 mil habitantes. Os estados com maiores números absolutos são São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pará.

Apesar dos números absolutos, estados como Pará e Paraná apresentam taxas proporcionais superiores à média nacional. O Pará registrou 54,21 vítimas por 100 mil habitantes em 2025, e o Paraná, 44,93. Já São Paulo, com a maior quantidade de casos, fechou com taxa de 26,56. O Ministério da Justiça não se manifestou sobre os dados até sexta-feira (15).

Segundo a delegada Monique Lima, da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo, o aumento resulta de maior capacidade das redes de proteção em identificar e denunciar casos. Ela afirmou que a maioria das vítimas tem menos de 14 anos e que há registros em todas as classes sociais, principalmente envolvendo pessoas próximas às vítimas.

O pesquisador Daniel Cerqueira, do Atlas da Violência, destaca que a redução da subnotificação, campanhas de conscientização e maior preparo das autoridades contribuem para o crescimento das estatísticas. Ele avalia, porém, que o problema pode ser ainda maior, pois abusos frequentemente ocorrem dentro de casa, cometidos por familiares, e muitos casos permanecem ocultos.