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Polícia reprime marcha em La Paz contra governo Rodrigo Paz; promotor ordena prisão

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Da redação

Policiais de choque enfrentaram manifestantes com gás lacrimogêneo nesta segunda-feira, 18, no centro de La Paz, Bolívia. O episódio ocorreu após mais de duas semanas de bloqueios, em protestos que pedem a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, no poder há apenas seis meses, devido à grave crise econômica.

O clima de tensão aumentou quando a Promotoria anunciou a prisão de Mario Argollo, representante da Central Operária Boliviana, acusado de “instigação pública ao delito” e “terrorismo”. Os manifestantes, compostos por camponeses, operários, mineiros e professores, ocuparam as ruas, exigindo respostas para a pior crise econômica boliviana em quatro décadas.

Durante os confrontos, manifestantes lançaram explosivos e pedras na tentativa de invadir a praça de armas, onde está localizado o Palácio do Governo. Policiais protegidos por escudos, coletes e capacetes responderam por várias horas com gás lacrimogêneo, cobrindo as ruas do centro com nuvens densas, conforme presenciaram jornalistas.

Ao menos dois manifestantes ficaram feridos, segundo observação de jornalistas no local. Autoridades informaram que não houve detenções no momento, mas relataram o incêndio de um veículo policial. Um grupo saqueou uma sede do registro nacional de bens, levando móveis, computadores e outros equipamentos de escritório, segundo imagens divulgadas pelo Ministério do Governo.

A cidade permaneceu paralisada, com milhares protestando desde cedo e comércios fechados. O protesto ganhou ainda mais volume com a chegada de apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que caminharam durante sete dias desde Caracollo e também defendem a renúncia de Paz. Segundo esses grupos, Morales é procurado pela Justiça e está refugiado em Chapare.

A Bolívia enfrenta sua maior crise econômica desde os anos 1980, agravada pelo fim dos subsídios ao combustível, política eliminada por Paz em dezembro. Em abril, a inflação anual chegou a 14%. Atualmente, há 33 bloqueios registrados em todo o país e o governo recorre a uma “ponte aérea” para garantir o abastecimento de alimentos em La Paz.