Da redação
Equipes de saúde trabalham para conter a epidemia de ebola na República Democrática do Congo. A mobilização ocorre desde maio em áreas afetadas por instabilidade política e insegurança. A resposta busca interromper a transmissão do vírus, que está em rápida expansão, especialmente na província de Ituri, segundo autoridades locais e internacionais.
Conforme explicou Anne Ancia, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) no país, conflitos armados têm provocado grandes deslocamentos populacionais, dificultando o controle do surto. Ela ressaltou que, sem vacinas disponíveis, as estratégias de resposta envolvem rastrear contatos, isolar casos suspeitos e adotar medidas rigorosas de distanciamento social e segurança em funerais.
A OMS confirmou que o vírus circulante pertence ao tipo Bundibugyo, classificado como mais raro e não identificado inicialmente nos testes locais, que buscavam a cepa Zaire. Exames realizados na capital, Kinshasa, validaram o diagnóstico, após investigação de óbitos em Bunia por motivo inicialmente desconhecido. Ancia destacou que o Bundibugyo apresenta letalidade de cerca de 50%.
A proteção dos profissionais de saúde é considerada prioridade. Anne Ancia afirmou que “vão ter que pôr equipamento de proteção pessoal nas infraestruturas de saúde”, além de estabelecer rotas diferenciadas para pacientes e equipes médicas. Ela enfatizou a necessidade de implementar protocolos de biossegurança e aprimorar a gestão de resíduos biológicos para evitar novas infecções.
De acordo com a OMS, o histórico de epidemias anteriores, como a ocorrida entre 2018 e 2019, quando mais de 2,3 mil pessoas morreram de ebola no país, influencia a mobilização das comunidades locais, já familiarizadas com os riscos e procedimentos recomendados pelas autoridades de saúde durante surtos da doença.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) Portugal lançou um apelo por apoio internacional para crianças e famílias afetadas. A agência considera fundamental garantir acesso humanitário seguro, observando que a resposta rápida é determinante para frear a disseminação do ebola e proteger crianças, especialmente vulneráveis à epidemia.






