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COLUNA DO BLAU BLAU | O Oscar da Fantasia Patrimonial Vai Para Flávio Bolsonaro

Por Alex Blau Blau

Entre chocolates milagrosos, mansões “subvalorizadas” e honorários advocatícios invisíveis, a política brasileira segue entregando um roteiro que faria Hollywood pedir direitos autorais.

Se existe uma categoria pouco explorada pela Academia de Hollywood, ela certamente é a de “Melhor Atuação em Coerência Patrimonial”. E convenhamos: Flávio Bolsonaro chegaria forte na disputa. Talvez até favorito. Porque o currículo artístico já está consolidado há anos no imaginário popular brasileiro.

Afinal, não é todo dia que alguém consegue transformar salários públicos em um verdadeiro multiverso financeiro. Nem mesmo Doutor Estranho conseguiria explicar a elasticidade matemática que permite uma mansão declarada em cerca de seis milhões de reais ser tratada nos bastidores imobiliários como um imóvel que poderia facilmente ultrapassar os quatorze milhões. Talvez seja um novo conceito econômico. Valor relativo patriótico.

E aí entra o roteiro digno de streaming premium. Segundo as explicações públicas, além do salário parlamentar, parte da façanha teria sido viabilizada por honorários advocatícios. O detalhe curioso é que o grande público raramente viu o senador exercendo advocacia nos tribunais, exceto quando o assunto envolve responder investigações ou apagar incêndios políticos. Denis, o Pimentinha, olhando de longe, parece hoje um jovem escoteiro disciplinado.

Mas o ápice da obra cinematográfica talvez esteja na famosa loja de chocolates. Ah, a fantástica fábrica de lucros extraordinários. Um verdadeiro fenômeno econômico tropical. Há quem diga que determinados dias comuns rendiam mais do que datas clássicas do varejo nacional. Willy Wonka certamente pediria consultoria. Economistas talvez também.

O mais impressionante é que, mesmo diante de tamanho sucesso empresarial quase sobrenatural, o empreendimento acabou vendido. Vai entender. Talvez o capitalismo patriótico tenha regras próprias que meros mortais não compreendam.

E enquanto isso, o enredo continua entregando referências paralelas difíceis de ignorar. Histórico cercado por acusações envolvendo rachadinhas, homenagens polêmicas, relações controversas e personagens frequentemente ligados ao universo das milícias. Tudo isso embalado por discursos inflamados sobre moralidade pública, patriotismo e defesa da família brasileira. Uma mistura tão surreal que nem o Mágico Mandrake conseguiria tirar esse coelho da cartola sem deixar perguntas pelo palco.

Talvez reste agora apostar no fator nostalgia. Um retorno cinematográfico ao estilo “último herói da resistência”, vestindo colete à prova de balas e tentando reeditar o hype de personagens como Capitão Nascimento. Mas popularidade não se recompra em promoção de franquia gourmet. Nem mesmo uma Brahma estupidamente gelada ao lado do eterno baixinho da Kaiser parece suficiente para ressuscitar certos índices de aprovação.

No fim das contas, talvez reste apenas esperar pelo famoso milagre da multiplicação. Quem sabe ele aconteça na cela 7, 8 ou 9. Ou em qualquer corredor onde a realidade eventualmente alcance a ficção.

E agora, senhoras e senhores, vamos abrir o envelope.

O Oscar vai para: Pepe Le Gambá.

Só recomendam um detalhe antes da cerimônia no tapete vermelho: talvez sejam necessários mil banhos no vencedor.

Porque, no fim, gambá continua cheirando a gambá.