Da redação
O psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro declarou nesta quarta-feira, 27, em audiência no Tribunal do Júri, que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, apresenta perfil psicológico com traços de perversidade e prazer em provocar sofrimento em crianças pequenas. O depoimento ocorreu durante o julgamento da morte de Henry Borel, de 4 anos, no Rio de Janeiro.
Ribeiro foi convocado como primeira testemunha de acusação do terceiro dia do júri. Segundo ele, sua análise foi realizada a pedido do pai de Henry, Leniel Borel, e não envolveu contato direto com Jairinho ou Monique Medeiros, baseando-se em depoimentos, entrevistas públicas dos réus e relatos de terceiros.
Entre os relatos mencionados, o psiquiatra citou o caso de Natasha de Oliveira Machado, que teria relatado manipulação por parte de Jairinho mediante promessa de casamento. Ribeiro contou que a filha de Natasha, então com mais de três anos, teria sofrido episódios de agressão, como torção de braço e submersão forçada em uma piscina.
O médico também citou o caso do filho de Débora Mello Saraiva, que, conforme relatos, teria sofrido fratura no fêmur, pisoteio e episódios de sufocamento. Segundo Bernardon Ribeiro, essas situações indicariam um padrão repetitivo de provocar dor e tortura em crianças pequenas.
A defesa de Jairinho contestou o depoimento, afirmando que o psiquiatra não ouviu os réus e acusando-o de expor impressões pessoais, além de relembrar decisão judicial anterior que teria proibido sua oitiva. Já a defesa de Monique Medeiros também pediu a impugnação do testemunho, ambos negados pela juíza Elizabeth Machado Louro.
Bernardon Ribeiro ainda declarou que, conforme relatos, Monique Medeiros “não teve instinto de preservá-lo” ao ser informada das agressões ao filho. Ainda nesta quarta-feira, eram aguardados depoimentos de outros profissionais ligados ao caso. O júri conta com 27 testemunhas arroladas de acusação e defesa, sendo presidido por sete jurados.




