Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de ser “inimigo mortal” de vários países latino-americanos, nesta terça-feira (2), após o governo norte-americano ameaçar impor novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros durante negociações em andamento entre os dois países.
O episódio reacende a tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, menos de um mês após Lula e o presidente americano, Donald Trump, se reunirem por três horas em um encontro avaliado por ambos como positivo. O escritório do Representante Comercial dos EUA alegou práticas comerciais desleais do Brasil em áreas como redes sociais, propriedade intelectual e desmatamento.
Segundo Lula, o anúncio do possível aumento tarifário ocorreu enquanto ainda havia diálogo aberto entre as delegações. O presidente ressaltou que havia acertado com Trump um prazo de 30 dias para buscar uma solução para as divergências comerciais, o que teria sido desconsiderado com a divulgação da medida.
Na semana anterior, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas eleições presidenciais deste ano, esteve em Washington para reunião com Trump e Rubio. A movimentação política repercutiu em Brasília, principalmente após a publicação de fotos do encontro entre o senador brasileiro e o presidente norte-americano.
Lula afirmou que “Marco Rubio, que é o inimigo mortal de vários países latino-americanos, não estava na reunião que fiz com o Trump” e criticou Flávio Bolsonaro, chamando-o de “traidor” por, segundo ele, pedir intervenção estrangeira em decisões brasileiras. Flávio, por sua vez, declarou que solicitou a Trump e Rubio para que as empresas brasileiras não fossem taxadas, e argumentou que “eles não confiam no Lula”.
O possível aumento das tarifas é o segundo revés diplomático para Lula após o encontro com Trump. Na semana anterior, os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, posição que enfrentou oposição do governo brasileiro. O episódio contribui para o clima de incerteza nas relações bilaterais.







