Da redação
O Brasil monitora o avanço de sistemas de inteligência artificial capazes de identificar falhas em redes e softwares, mas, segundo Danielle Ayres, diretora de segurança da informação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), não se considera vulnerável atualmente. A afirmação foi feita nesta quarta-feira (17), durante conferência no Rio de Janeiro, diante dos recentes alertas globais sobre IA.
Ayres destaca que o maior desafio é acompanhar a velocidade das inovações tecnológicas, o que demanda constante atualização das defesas nacionais. “Temos que estar atentos”, afirmou. O tema ganhou destaque internacional após a startup Anthropic anunciar, em abril, o desenvolvimento do Claude Mythos, sistema de IA supostamente capaz de explorar qualquer vulnerabilidade com rapidez.
O anuncio da Anthropic provocou discussões em governos, principalmente nos Estados Unidos, que impuseram restrições ao modelo e, posteriormente, exigiram que a empresa o retirasse do ar. Países como o Brasil acompanham com incerteza, já que não há clareza sobre o funcionamento ou o alcance do Mythos. “Não temos conhecimento aprofundado do que contém esse modelo”, explica Ayres.
Ela ressalta que confia nas capacidades brasileiras de resposta a incidentes, embora desconheça detalhes do Mythos. “Se não temos acesso e não sabemos como ele funciona, vamos nos defender com base nos padrões que temos.” Para Ayres, o problema é global. “Estamos constantemente nos renovando”, completa, ao mencionar que a posição brasileira é sólida, embora precise de aprimoramentos contínuos diante das mudanças tecnológicas aceleradas.
O GSI pretende criar uma linha de crédito no BNDES para pequenas e médias empresas investirem em cibersegurança. Segundo Ayres, “empresas como a Embraer são qualificadas em segurança, mas dependem muitas vezes de cadeias de suprimentos que não necessariamente são tão bem protegidas”, reforçando a necessidade de fortalecer os pequenos negócios para proteger toda a cadeia.
Por fim, Ayres apoia o desenvolvimento de soluções nacionais de inteligência artificial, destacando que a maioria das ferramentas pensa em inglês e que o Brasil precisa de sistemas adaptados à realidade e cultura nacionais. Ela também classifica o portal Gov.br como “um dos melhores sistemas públicos do mundo” no quesito segurança digital.





