Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou, nesta terça-feira, 16, a retirada da urgência do projeto de lei que prevê o fim da jornada de trabalho 6×1. A decisão ocorreu durante viagem de Lula à França e foi comunicada por telefone ao ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
A medida tornou públicas as divergências dentro da base governista sobre a condução do tema no Congresso Nacional. Integrantes da bancada do partido informaram que não foram avisados previamente da orientação presidencial, o que gerou críticas entre lideranças. Alguns líderes chegaram a classificar a retirada da urgência como “especulação”.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo e da Maioria na Câmara, manifestou insatisfação com a decisão. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Lindbergh classificou a retirada como um “erro grave” e afirmou: “Se a gente retirar a urgência, a gente vai ficar nas mãos do Alcolumbre”.
O parlamentar ainda destacou que “o momento é de mobilização e pressão e não de recuo”, defendendo maior articulação política para garantir o avanço da pauta. O posicionamento reflete a preocupação de parte da base governista com o andamento das propostas consideradas prioritárias.
Com o recuo, Lula buscará novamente uma negociação direta com o senador Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O objetivo é evitar a aprovação de “pautas-bombas” e encaminhar, ainda antes das eleições, temas estratégicos para o governo, como o próprio projeto da jornada e outras matérias prioritárias.
Além da redução da jornada de trabalho, o governo aponta como prioridades a aprovação da PEC da Segurança e do novo marco regulatório das terras raras no Senado. A articulação visa destravar pautas consideradas essenciais pela administração federal no período pré-eleitoral.





