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ONU alerta que exclusão de mulheres em mediação de conflitos ameaça acordos de paz


Da redação

A ONU alertou que, em meio ao aumento de conflitos armados, mulheres continuam excluídas das negociações de paz. O alerta foi feito nesta semana por Sima Bahous, diretora executiva da ONU Mulheres, ao destacar a marginalização feminina nos processos de mediação, o que compromete acordos mais duradouros e igualitários mundialmente.

A Resolução 1325 do Conselho de Segurança, aprovada em 2000, determinou a participação das mulheres em decisões de paz e segurança. No entanto, segundo analistas, a efetiva integração feminina permanece limitada, com dados recentes apontando uma diminuição da presença das mulheres nos acordos de paz.

Sima Bahous afirmou que “as mulheres estão a desaparecer dos processos de paz e de mediação”. Ela ressalta ainda que estudos mostram que acordos negociados com participação feminina tendem a ser mais duradouros. A exclusão das mulheres da vida pública, segundo a executiva, aumenta o risco de novas hostilidades e impede avanços sociais.

Essa tendência se agravou com o enfraquecimento do multilateralismo. No último ano, a ONU conduziu apenas três processos de paz, enquanto há 15 anos liderava mais de dez. À medida que negociações passam para formatos informais ou bilaterais, mulheres perdem espaços já conquistados.

Organizações feministas enfrentam repressão crescente em várias regiões. No Iraque, ativistas têm sido alvo de campanhas de ódio e o termo “gênero” foi proibido da linguagem oficial. No Afeganistão, mais de 230 decretos restringiram a participação feminina na vida pública. No Sudão, apesar do papel das mulheres na resposta humanitária, elas continuam ausentes das negociações.

Apesar da exclusão nos acordos, mulheres seguem desempenhando papel central em sociedades afetadas por conflitos. A ativista Leymah Gbowee criticou a ausência feminina nas soluções para a guerra, apontando que mulheres são frequentemente apenas observadoras. Defensores recomendam mais financiamento para organizações de mulheres, proteção às ativistas, criação de cotas e condicionamento de apoio internacional à participação efetiva feminina nas negociações.