Da redação
Deputados estaduais e vereadores de capitais reservaram R$ 15,4 bilhões dos orçamentos de 2026 para emendas parlamentares, conforme levantamento divulgado nesta segunda-feira. Do total, R$ 13,46 bilhões cabem aos deputados estaduais, enquanto os vereadores das principais cidades ficarão com R$ 1,98 bilhão.
O valor reservado para deputados estaduais representa um aumento de 13,1% em relação ao ano anterior, quando foram destinados R$ 11,9 bilhões. As emendas garantem aos parlamentares controle direto sobre parte do orçamento público, permitindo a destinação de recursos a obras, projetos ou entidades específicas, prática muitas vezes questionada quanto à transparência.
Nas esferas federal e estadual, a adoção das chamadas “emendas Pix”, que transferem recursos diretamente para municípios com menos controle, foi incorporada por 20 estados. O calendário para liberação dos valores também passou a prever pagamentos acelerados: Acre e Alagoas, por exemplo, estabelecem repasses de 50% e 65%, respectivamente, no primeiro semestre do ano eleitoral.
O governo de Alagoas declarou que “não houve qualquer aceleração na execução desses recursos” e que os pagamentos seguem “a devida transparência e rastreabilidade”. Em Mato Grosso, dos R$ 658,6 milhões destinados a emendas, R$ 657,8 milhões já foram empenhados, com R$ 313,9 milhões pagos. O governo estadual não se pronunciou.
Pesquisadores e organizações como a Transparência Internacional alertam para o desafio de ampliar a fiscalização. Guilherme France, gerente de pesquisa e advocacy, afirma que “exemplos péssimos se espalham como fogo” e defende maior responsabilização dos parlamentares. Recentemente, o STF condenou deputados por desvios de emendas, reconhecendo dificuldades para comprovar a participação direta dos legisladores.
Em 2026, Minas Gerais lidera em volume absoluto de emendas, destinando R$ 2,54 bilhões, enquanto Roraima destaca-se no valor por parlamentar, com média de R$ 35,8 milhões por deputado. Nas capitais, São Paulo encabeça o ranking, com R$ 330 milhões. O levantamento revisou dados oficiais de todas as unidades federativas e capitais.





