Início Economia Banco Central defende não reagir totalmente a choques de oferta na inflação

Banco Central defende não reagir totalmente a choques de oferta na inflação


Da redação

O Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve o ciclo de redução da taxa Selic, apesar da piora no cenário inflacionário. A decisão de cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, foi tomada na reunião da semana passada e divulgada em ata nesta terça-feira, 23, em Brasília.

O colegiado justificou o corte afirmando que as “melhores práticas” recomendam não responder totalmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, considerados eventos inesperados. Entre os fatores de incerteza, o Copom citou o conflito armado no Oriente Médio, que pressiona preços globais de petróleo e combustíveis, além dos efeitos ainda em projeção do fenômeno El Niño.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”, diz a ata. No documento, o BC afirma que futuros ajustes na Selic dependerão de novas informações sobre a extensão dos conflitos e seus impactos nos preços ao longo do tempo.

Em relação à inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou maio em 0,58%, pressionado principalmente pelos alimentos. No acumulado de 12 meses, o IPCA atingiu 4,72%, ultrapassando a meta estipulada, que varia entre 1,5% e 4,5% ao ano, conforme o IBGE.

O BC pontuou que adotar trajetórias para a Selic menos distantes das previsões de mercado evita volatilidade excessiva nos preços de ativos financeiros e na economia. O cenário permanece desafiador, com leituras mais altas do IPCA acrescentando pressão sobre os índices inflacionários de curto prazo.

Segundo projeções, a expectativa do mercado é que o IPCA fique em 5,33% para 2024 e 4,15% em 2027. Simulações debatidas no Copom indicaram que ajustes graduais nos juros poderiam suavizar a economia e favorecer a convergência da inflação para a meta, especialmente até o primeiro trimestre de 2028, horizonte considerado relevante pelo Banco Central.