Da redação
O banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo e à Igreja Universal, enfrenta uma situação financeira delicada que levanta dúvidas sobre a ausência de intervenção do Banco Central até esta segunda-feira, 22. Segundo a agência classificadora Fitch, o risco de insolvência da instituição é considerado real.
O cenário vem sendo acompanhado de perto desde que, em abril, o BTG Pactual, liderado por André Esteves, assinou um acordo preliminar para adquirir o Digimais. No entanto, a operação depende da liberação de um empréstimo ponte pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e de autorização da autoridade monetária.
Sem a concretização dessas condições, as negociações esfriaram e não há previsão de conclusão do negócio. O processo, que parecia encaminhado, passou a ser incerto conforme apurado nesta segunda-feira, provocando especulações sobre uma possível liquidação extrajudicial da empresa.
O procedimento costuma seguir uma lógica recente do setor financeiro, em que liquidações são decretadas após fracasso em operações de compra ou fusão. Exemplos ocorridos no Master e no Will Bank demonstram que o Banco Central só atua com medidas definitivas quando não resta alternativa viável no mercado.
No caso do banco Master, a liquidação ocorreu depois que uma suposta transação com o BRB foi invalidada pela autoridade monetária, que identificou indícios de fraude e corrupção, resultando na prisão de Daniel Vorcaro. O Will Bank, por sua vez, foi liquidado após a desistência do fundo soberano de Abu Dhabi, o Mudabala, em comprá-lo.
O Digimais é investigado atualmente diante das dificuldades financeiras e da incerteza sobre seu controle futuro. O risco de liquidação extrajudicial cresce com o insucesso das tratativas para a venda, contexto que segue sob avaliação do Banco Central e de agentes do mercado nacional.





