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Polícia Federal acusa Banco Digimais de superavaliar ativos e transferir prejuízo ao FGC


Da redação

A Polícia Federal investiga a direção do Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, por supostamente ter superavaliado ativos mediante emissão de títulos com rentabilidade acima dos padrões de mercado. O caso veio à tona durante análise sobre possível venda do controle do banco ao BTG Pactual, anunciada em abril de 2026.

Segundo a investigação, a operação de alienação do Digimais estaria condicionada à injeção de até R$ 7 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), valor suficiente para cobrir o déficit registrado na instituição. Para os federais, essa dinâmica transfere os prejuízos do banco para o FGC, isolando o patrimônio pessoal dos administradores.

Os documentos indicam que essa estratégia permitiria, segundo os policiais, que causadores da insolvência repassassem integralmente o prejuízo ao sistema de proteção, afastando-se da responsabilidade por eventuais obrigações. Caso o negócio com o BTG não se concretize, existe a possibilidade de liquidação do Digimais, conforme alegado pela PF.

A investigação também cita o histórico da instituição, desde quando era Banco Renner, fundado em 1981 e adquirido por Macedo e Ester Bezerra em etapas entre 2013 e 2020, quando passou a se chamar Digimais. Em janeiro de 2025, uma tentativa de venda ao Bluebank, de Maurício Quadrado, foi vetada pelo Banco Central.

O relatório da PF detalha operações de reavaliação de ativos e apontou litígios, como a cessão de créditos estimados em R$ 660 milhões com inconsistências documentais. O Banco Central identificou que, em balanço, ativos que custaram R$ 71 milhões foram registrados como R$ 741 milhões, gerando uma renda fictícia de R$ 199 milhões para o banco.

O Banco Central destacou ainda infração a normas de crédito e venda das cotas do fundo Hermon à controladora B.A. Empreendimentos, sem ingresso de recursos, descumprindo limite de 10% do patrimônio ajustado. A PF cita indícios de infrações aos artigos 4º, 10 e 17 da Lei 7.492/1986, que veda empréstimos e financiamentos a partes relacionadas.