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OMS recomenda ampliar triagem neonatal para prevenir mortes por anomalias congênitas


Da redação

A Organização Mundial da Saúde lançou um novo relatório sobre triagem neonatal, destacando que a identificação precoce e o tratamento oportuno de anomalias congênitas são essenciais para reduzir incapacidades e prevenir mortes infantis. O documento, divulgado globalmente, enfatiza a importância para países de baixa e média rendas fortalecerem esses programas em seus sistemas de saúde.

Nas últimas duas décadas, a queda da mortalidade infantil aumentou proporcionalmente a incidência de mortes neonatais e de crianças menores de cinco anos por anomalias congênitas, além de elevar a carga de incapacidade ao longo da vida. Segundo a OMS, enfrentar essas condições é fundamental para avançar em saúde equitativa e universal.

A diretora do Departamento de Saúde Sexual, Reprodutiva, Materna, Infantil e do Adolescente da OMS, Pascale Allotey, afirmou que “a integração dos serviços voltados às anomalias congênitas nos sistemas nacionais de saúde contribui para reduzir a mortalidade e as incapacidades evitáveis, proteger as famílias contra gastos catastróficos com saúde e promover a inclusão social ao longo de toda a vida”.

O relatório apresenta experiências de países pioneiros, como Brasil, Filipinas, Índia, Uganda, Egito, Argentina, Cuba, Armênia e Sri Lanka. A principal recomendação é integrar a triagem a um sistema funcional de cuidados contínuos, incluindo diagnóstico, tratamento, reabilitação e apoio às famílias, pois abordagens fragmentadas são consideradas insuficientes.

No Brasil, o programa nacional de triagem neonatal foi lançado em 2001. Atualmente, abrange triagem, confirmação diagnóstica, tratamento e acompanhamento de doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo, doença falciforme, fibrose cística, toxoplasmose congênita e cardiopatias críticas. Entre 2012 e 2023, a cobertura atingiu de 80% a 84% dos nascimentos, com amostras coletadas em mais de 23 mil unidades de saúde.

O documento enfatiza a importância de financiamento sustentável, como pacotes públicos de saúde, para garantir equidade no acesso. Programas nacionais priorizam condições que já possuem tratamento e fluxos bem estabelecidos, ampliando gradualmente o escopo conforme aumenta a capacidade do sistema. A OMS destaca ainda desafios no Brasil quanto à cobertura da triagem auditiva e à capacidade cirúrgica cardiológica.