Da redação
Em 2022, cinco deputados federais indígenas foram eleitos pela primeira vez no Brasil, compondo menos de 1% da Câmara dos Deputados, cuja maioria, cerca de 72%, é formada por pessoas brancas. As eleições ocorreram em outubro daquele ano e evidenciam uma busca por maior representatividade no Congresso Nacional.
Célia Xakriabá (PSOL-MG), Juliana Cardoso (PT-SP), Silvia Waiãpi (PL-AP), Sônia Guajajara (PSOL-SP) e Paulo Guedes (PT-MG) são os parlamentares indígenas que atualmente integram a Câmara. Entre eles, destaca-se a presença inédita de quatro mulheres. Antes de 2023, apenas Mário Juruna e Joênia Wapichana haviam ocupado cadeiras no Legislativo federal.
No Senado, o Brasil nunca teve oficialmente um representante indígena. Em 2003, Antônio Ferreira Apurinã chegou a tomar posse simbolicamente como suplente, mas o mandato efetivo ficou sob responsabilidade de Sibá Machado. A ausência histórica de indígenas no Congresso é apontada por lideranças como reflexo do “racismo da ausência”.
O movimento indígena articula-se para as eleições de 2026 por meio do projeto “Aldear a Política”, que reúne 47 pré-candidaturas espalhadas por 16 estados e o Distrito Federal, em partidos como Rede, PT, PSOL, MDB, PV, PSB, PSD, PDT e Avante. “É importante trazer a pauta indígena à centralidade”, afirma Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas.
Entre as demandas prioritárias das candidaturas estão a garantia dos territórios, fortalecimento da educação indígena e o combate às mudanças climáticas. A criação da Universidade Federal Indígena, com previsão de funcionamento em 2027 e oferta inicial de 2,8 mil vagas, foi destacada como avanço pelo movimento.
Os desafios identificados incluem financiamento insuficiente e racismo institucional. A partir de 2026, candidaturas indígenas terão recursos proporcionais do Fundo Partidário, após articulação no TSE. Para Chirley Pankará, “a bancada do cocar é ancestralidade, território, políticas públicas e superar décadas de invisibilidade e exclusão dos povos indígenas”.




