Por Alex Blau Blau
Nova cobrança atinge parte das exportações brasileiras enquanto Brasília aposta no diálogo para reduzir impactos econômicos
A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma parcela dos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano passou a valer nesta quarta-feira (22). A medida alcança milhares de itens, mas preserva produtos considerados estratégicos para a economia dos próprios Estados Unidos, como café, carne bovina, petróleo, celulose e aeronaves.
A cobrança incide sobre produtos brasileiros no momento da entrada em território americano, elevando o custo para importadores e podendo reduzir a competitividade de diversos setores da indústria nacional.
Entre os segmentos mais afetados estão fabricantes de máquinas industriais, etanol, açúcar, pneus, madeira, tabaco, calçados e parte da produção de alumínio. Já mercadorias consideradas essenciais ou de difícil substituição permaneceram fora da nova lista de taxação.
Dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos deverão sentir os efeitos da medida, considerando como base os números de 2024. Pelos dados mais recentes, referentes a 2025, esse percentual seria de cerca de 15%.
No agronegócio, entidades do setor calculam perdas bilionárias em exportações destinadas ao mercado americano, embora integrantes da equipe econômica avaliem que o impacto sobre a economia brasileira, de forma geral, tende a ser limitado diante do grande número de produtos preservados da sobretaxa.
A decisão do governo norte-americano foi fundamentada em uma investigação comercial que apontou práticas consideradas restritivas ao comércio internacional. Entre os argumentos apresentados estão questionamentos envolvendo o sistema de pagamentos PIX, políticas relacionadas às plataformas digitais, regras para o mercado de etanol, propriedade intelectual, acordos comerciais e mecanismos de fiscalização ambiental.
O governo brasileiro contestou os fundamentos utilizados pelos Estados Unidos e classificou a decisão como incompatível com a relação histórica entre os dois países. Integrantes do Palácio do Planalto defendem que temas internos brasileiros não podem servir de justificativa para medidas comerciais dessa natureza.
Apesar da aprovação da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes diante de barreiras comerciais impostas por outros países, o governo federal ainda não anunciou eventual aplicação do mecanismo. A estratégia, neste momento, continua concentrada na negociação diplomática e na busca de soluções que preservem as relações comerciais sem ampliar as tensões entre as duas maiores economias do continente.
Representantes da indústria e do setor produtivo também defendem cautela e priorizam o diálogo institucional como principal caminho para reduzir os impactos da nova política tarifária e evitar uma escalada de medidas que possa comprometer ainda mais o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos.





