Da redação
A Polícia Federal indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass por crimes como atentado contra a segurança do transporte aéreo, sinistro aéreo com resultado morte e falsidade ideológica após a queda do voo PTB-2283 em Vinhedo, no interior de São Paulo, que matou 62 pessoas a bordo. O relatório final da investigação foi apresentado em coletiva de imprensa em Campinas e aponta falhas nos sistemas antigelo da aeronave e descumprimento de procedimentos técnicos por diferentes tripulações.
Segundo o delegado André Ribeiro, chefe da Delegacia da Polícia Federal em Campinas, a investigação identificou uma “cultura organizacional de não reporte” na empresa, caracterizada por omissão sistemática em todas as hierarquias. Fátima Alburquerque, mãe de uma das vítimas e presidente da associação de parentes, afirmou: “Eram profissionais preparados sabotando uma fiscalização, fazendo gambiarra numa aeronave que poderia matar. Todos sabiam que aquela aeronave uma hora ia cair. Aquilo foi ganância”. Para Adriana Ibba, mãe da vítima mais jovem, o indiciamento representa “o início de uma longa caminhada… nós vamos até o fim por justiça por eles”.
O laudo da Polícia Federal detalha que a aeronave operou sob condições meteorológicas adversas, com formação severa de gelo, e que o sistema pneumático de degelo apresentava falhas no dia do acidente e nos três voos anteriores. A perícia concluiu que não houve cumprimento de determinações técnicas para reinicialização do sistema, e a indisponibilidade do equipamento teria impedido a operação da aeronave nessas condições, embora não seja possível afirmar se o funcionamento adequado do degelo evitaria o acidente.
A Voepass declarou, em nota, que sempre cumpriu rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e treinamento estabelecidos pela Agência Nacional de Aviação Civil. Conforme a companhia, os pilotos eram treinados para enfrentar condições de formação de gelo, seguindo as orientações do fabricante e protocolos operacionais aplicáveis.





