Da redação
Religiosos católicos, como dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida, e dom frei Samuel Ferreira, bispo auxiliar de Manaus, afirmaram em vídeos nas redes sociais que é necessário “defender a soberania” do Brasil. As manifestações, veiculadas pouco antes do primeiro turno, motivaram debate nas redes sobre religião e eleições.
Segundo o bispo de Carolina, dom Francisco Lima, coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, as falas sobre soberania estão de acordo com a doutrina da Igreja, mas padres deveriam evitar pronunciamentos isolados em período de campanha. “Uma fala isolada de um bispo pode fazer assimetria com relação aos outros. Isso é perigoso”, afirmou. Em reunião do grupo, Lima e outros integrantes recomendaram evitar o termo “soberania”, para não potencializar seu impacto político.
O sociólogo Alexandre Landim, autor do livro “O Deus das urnas: evangélicos e católicos em eleições presidenciais no Brasil”, avalia que, embora o conteúdo dos vídeos seja educativo e relacionado à doutrina social da Igreja, seu uso durante a campanha pode ter consequência eleitoral. Ele ressalta que a retórica sobre soberania, tradicionalmente da direita, é agora incorporada pela esquerda, e que a Igreja Católica apresenta grande diversidade interna. Segundo pesquisa de Landim, católicos tendem a votar mais em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto evangélicos preferem Flávio Bolsonaro.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, procurada a respeito dos vídeos, informou apenas que mantém como mensagem ao eleitorado o texto publicado em 18 de junho, defendendo a confiança nas instituições democráticas, o Estado de Direito, a liberdade de expressão e criticando desigualdade social e disseminação de notícias falsas. Dados do Datafolha mostram que 45% dos católicos declaram voto em Lula no primeiro turno, contra 33% em Flávio, enquanto entre evangélicos, 47% preferem Flávio e 27% Lula.



