Da redação
O Exército de Mianmar intensificou ataques aéreos contra civis nos últimos meses, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (11) por investigadores do Mecanismo de Investigação Independente para Mianmar, ligado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O documento afirma que o aumento da violência ocorre especialmente diante da proximidade das eleições legislativas, previstas para dezembro e janeiro, e denuncia que os ataques seguem “sem trégua”, atingindo alvos como residências, escolas, centros de saúde, locais de culto e acampamentos de deslocados internos.
De acordo com o relatório anual, referente ao período de julho de 2025 a junho de 2026, há agravamento na frequência e intensidade de crimes de guerra e contra a humanidade atribuídos tanto ao Exército birmanês quanto a outros grupos armados. Os investigadores destacam o uso crescente de paramotores e drones pelas Forças Armadas, o que dificulta a detecção dos bombardeios por parte da população, reduzindo as chances de fuga ou abrigo.
O cenário de guerra civil teve início em 2021, após um golpe militar que destituiu o governo da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. Desde então, militares reprimiram manifestações contrárias, levando ativistas pró-democracia a se aliarem a grupos armados liderados por minorias étnicas que já se opunham ao poder central. O relatório também menciona confrontos sem sinais de cessar entre o regime militar e outros grupos em todo o país.
Segundo a organização não governamental Acled, o conflito já resultou em mais de 100 mil mortes. Os investigadores citam a existência de “várias evidências” de detenções arbitrárias, tortura e violência sexual em centros controlados pelo Exército, além de pessoas que enfrentam penas de até 20 anos de prisão ou até pena de morte por críticas em redes sociais.





