Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, indicado à corte por Jair Bolsonaro (PL), vazava partes de investigações conforme interesses próprios. Lula sugeriu que os dados mantidos em sigilo por Mendonça fossem integralmente abertos à sociedade para maior transparência.
Durante entrevista à Record, Lula comentou sessão do Supremo em que se discutiu abrir investigação contra Alexandre de Moraes, ministro do tribunal. Segundo relatório da Polícia Federal, Moraes foi apontado como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mendonça foi responsável por retirar o sigilo das mensagens do caso. Os ministros Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques, citados por Lula, se declararam impedidos de julgar: Toffoli por “foro íntimo” e Nunes Marques por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Lula afirmou ainda que “não há ninguém que possa fugir do julgamento quando tem suspeita ou acusação contra ele” e defendeu que a Suprema Corte deve ser exemplo de credibilidade. O presidente ressaltou a necessidade de investigar com rigor e disse que Edson Fachin, presidente do STF, tem o poder de abrir os dados da corte, propondo transparência em relação às mensagens e possíveis envolvidos. Segundo Lula, “a lei acima de tudo e a verdade soberana”.
A disputa interna no Supremo tem sido explorada pela equipe de Flávio Bolsonaro (PL) para associar Lula a Moraes durante a corrida eleitoral. O presidente, no entanto, busca se distanciar do episódio ao defender investigações completas e criticar o que classificou como “vazamentos seletivos”. Lula também voltou a propor reforma do Judiciário e reforçou, em diferentes entrevistas, que é preciso criar critérios de moralização para o setor.





