Da redação
A resposta ao surto do vírus ebola Bundibugyo na República Democrática do Congo enfrenta um momento decisivo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Janet Diaz, chefe da Unidade de Cuidados Seguros e Escaláveis do Programa de Emergências de Saúde, visitou centros de tratamento em Bunia e ressaltou que, embora algumas regiões apresentem baixa transmissão, o número total de infecções permanece elevado. De acordo com autoridades congolesas, o país já registrou 8.067 casos confirmados e 3.901 mortes.
Segundo Diaz, os principais desafios para conter o surto incluem a alta taxa de mortalidade nas comunidades, agravada pelo acesso tardio aos cuidados médicos. Muitas pessoas morrem em casa porque não conseguem chegar a tempo às unidades de saúde. As dificuldades de transporte e falhas no sistema de encaminhamento de pacientes têm complicado substancialmente a resposta sanitária.
Em colaboração estreita com o Ministério da Saúde do país e parceiros internacionais, a Organização Mundial da Saúde trabalha para fortalecer o diagnóstico precoce, agilizar sistemas de transferência e garantir apoio imediato aos infectados. A capacidade assistencial foi ampliada para mais de 1.600 leitos em 50 centros especializados, com previsão de expansão para mais de 2.000 vagas. Um centro de capacitação em Bunia já treinou cerca de 400 profissionais de saúde, e há programas específicos para acompanhamento de sobreviventes e aceleração de ensaios clínicos.
A administração de oxigênio medicinal é considerada vital no tratamento dos pacientes, mas sua oferta esbarra na fragilidade do sistema de saúde, especialmente em áreas carentes de infraestrutura. Em Bunia, o acesso a dispositivos de fluxo de oxigênio atendeu demandas imediatas, enquanto regiões com menos recursos sofrem com falta de energia, água potável e saneamento. A Organização Mundial da Saúde pediu investimento global para fortalecer os sistemas de oxigênio medicinal e garantir atendimento adequado.



