Da redação
O governo brasileiro evita classificar o fechamento temporário da embaixada e dos consulados dos Estados Unidos no Brasil como medida política da administração Trump. Conforme o Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores, trata-se de ação de segurança para proteção do corpo diplomático, em meio à proximidade do primeiro turno das eleições e após alerta da Agência Brasileira de Inteligência sobre risco de interferência estrangeira.
Apesar dessa postura cautelosa, há clima de desconfiança entre autoridades dos dois países. Uma fonte da diplomacia brasileira afirmou, sob reserva: “Se cabe investigação, o problema é policial. Eles [os Estados Unidos] é que precisam explicar”. O governo busca, segundo interlocutores, evitar especulações eleitorais, diante das já conhecidas tensões entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Funcionários da embaixada americana foram orientados a trabalhar de casa por motivos de segurança, não detalhados. Os serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil foram suspensos temporariamente pelo mesmo motivo. O acesso à embaixada em Brasília foi restrito, com reforço na segurança pela Polícia Militar do Distrito Federal e pela equipe do próprio local, onde ocorrem reformas. A embaixada da Austrália, próxima ao Tribunal Superior Eleitoral, também anunciou fechamento e aderiu à medida preventiva.
Segundo nota da Polícia Federal, foram realizadas buscas e apreensões no entorno do Distrito Federal e em São Paulo para investigar um “suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos EUA no Brasil”. De acordo com o órgão, não foram identificados elementos que confirmassem as ameaças nem suspeitos ligados a organizações criminosas. As investigações seguem com a análise de equipamentos e arquivos apreendidos.




