Da redação
O filme Feito Pipa, do diretor cearense Allan Deberton, chegou aos cinemas na quinta-feira (5) e está na disputa por uma indicação ao Oscar. Ambientado em Quixadá, no sertão central do Ceará, o longa aposta em apresentar ao público internacional uma realidade distante dos grandes centros.
Yuri Gomes, de 12 anos, interpreta Gugu, menino que sonha ser jogador de futebol e enfrenta preconceito por ser afeminado. Criado pela avó Dilma, vivida por Teca Pereira, ele vê o avanço do Alzheimer ameaçar a relação dos dois. O pai, Batista (Lázaro Ramos), aproxima-se do filho em aulas de pilotagem de moto.
Dos 5.569 municípios brasileiros, apenas 48 têm mais de 500 mil habitantes. Quixadá, onde o longa foi filmado, tem cerca de 81 mil moradores. A produção situa a história no chamado Brasil profundo, expressão difundida nas redes para culturas e modos de vida fora do foco das capitais.
O escritor Itamar Vieira Junior, vencedor do Prêmio Jabuti, disse: “O Brasil não é aquilo que passa na TV ou os lugares que são exaltados. São as vidas e as pessoas que ainda estão invisíveis. Todas elas têm uma potência de vida criativa, que podem explicar esse país”.
A casa de Dilma, com jardim e símbolos católicos, e o forró frequentado pela avó compõem um cotidiano retratado com dignidade, sem associar simplicidade à miséria. Quixadá também abriga monólitos, a fazenda Não Me Deixes, que pertenceu a Rachel de Queiroz, e um campus de tecnologia da Universidade Federal do Ceará.




