Início Economia Selic em 13,75% ao ano limita crédito e investimentos, dizem entidades

Selic em 13,75% ao ano limita crédito e investimentos, dizem entidades

Selic em 13,75% ao ano limita crédito e investimentos, dizem entidades

Da redação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Entidades da indústria, do comércio e de trabalhadores criticaram a decisão, assim como o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), apontando efeitos sobre crédito, atividade econômica e investimentos.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a manutenção como equivocada e excessivamente conservadora. A entidade citou o encarecimento do crédito, o endividamento das famílias e os custos de financiamento das empresas. Seu presidente, Ricardo Alban, defendeu a retomada dos cortes em dezembro, em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta.

Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), disse que juros elevados prejudicam comércio, serviços e indústria, além de limitar consumo e investimentos. “Está na hora de o Banco Central adotar uma política monetária que tanto controle a inflação quanto não prejudique o ritmo de atividade econômica”, declarou. Ele citou expectativa de expansão inferior a 2% neste ano.

Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), criticou a política monetária: “Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segurança”. A Força Sindical chamou a decisão de “irracional, nefasta e desastrosa”. Miguel Torres, presidente da entidade, disse que juros altos restringem crédito, produção e empregos.

Lindbergh atribuiu a manutenção à pressão do mercado financeiro após a eleição presidencial. Em postagem nas redes sociais, afirmou que a “Faria Lima” usa os juros para pressionar o governo eleito. O deputado disse que a decisão encarece o crédito e sufoca a produção, cobrou explicações do Banco Central e defendeu investimentos em indústria, ciência e infraestrutura.