Por Sandro Gianelli

Paulo Rezende
Cientista Político, mestre em comunicação política, na Espanha.
Como você avalia a profissão de consultor em marketing político no Brasil e na América Latina?
É uma profissão que vem tendo cada vez mais importância com a profissionalização das campanhas eleitorais e da comunicação institucional. Também vem aumentando os espaços nos meios de comunicação e a quantidade de cursos de graduação e pós-graduação.
Os partidos e candidatos tem observado de perto a diferença entre ter um acompanhamento profissional e um amador. Por isso, a figura do consultor em marketing político tem se consolidado não apenas em grandes campanhas, mas nas médias e pequenas também. Não dá mais pra entrar em um processo eleitoral contando com o achismo de militantes e cabos eleitorais. É preciso ter um trabalho sério de pesquisa, estratégia, mobilização e comunicação.
Em minhas campanhas pela América Latina, tenho visto a presença cada vez maior de consultores políticos. Há casos engraçados onde enfrento um colega em um determinado país e algum tempo depois estamos em outro país novamente em campos opostos. Vira uma rivalidade que nos ajuda a sempre buscar o melhor desempenho possível. Afinal de contas, não são apenas os candidatos que vivem de vitórias.
Como surgiu a ideia de criar o Fórum Internacional de Comunicação Política – FINCOP?
O FINCOP é um projeto que nasceu lá em Salamanca, no meu tempo de mestrado pela Espanha. Em um café com amigos, vimos que poucas pessoas tinham a mesma oportunidade que a gente teve de fazer um mestrado ou qualquer tipo de capacitação política na Europa e nos Estados Unidos. Diante desse quadro, pensamos promover a capacitação de consultores políticos em países como o Brasil e mostrar aos candidatos e partidos que existe uma forma muito mais profissional e assertiva de fazer campanhas eleitorais e comunicação institucional.
O projeto foi amadurecendo e saiu do papel em 2019 com a realização da primeira edição do FINCOP, em Brasília. Foi o primeiro evento de comunicação política da história do Brasil a ter uma pegada realmente internacional. Agora, que as condições sanitárias estão melhores, voltamos à Brasília para a nova edição do fórum, que vai reunir 20 consultores de 7 países, nos dias 29 e 30 de abril, no Teatro UNIP.
Qual a expectativa e quais os principais palestrantes da segunda edição do FINCOP?
Por ser um evento único, o FINCOP tem recebido inscrições do Brasil inteiro, inclusive de outros países. Então, o clima é de muita motivação para fazer um evento que permita ao público atualizar seus conhecimentos sobre comunicação política e fazer networking de altíssimo nível com profissionais do Brasil e do exterior.
Por ser um evento 100% presencial, as vagas realmente são limitadas, e a procura tem sido intensa.
Entre os principais palestrantes, temos Antônio Sola, um consultor político espanhol que coleciona exatas 15 vitórias presidenciais e já esteve na primeira edição do fórum. Igualmente gigante, Mauricio de Vengoechea é um estrategista colombiano que neste exato momento assessora diretamente a dois presidentes. E aí podemos falar de Fernando Dopazo, um argentino que tem uma reputação fantástica por sua atuação decisiva nos processos eleitorais mais disputados em toda a América Latina. Pelo time brasileiro podemos destacar o veterano e premiado Ricardo Amado, que comandou a campanha de Helder Barbalho para governador do Pará, além do Marcelo Vitorino, que é um grande consultor e também promove uma robusta qualificação de consultores políticos, junto com sua sócia Natália Mendonça, a maior especialista em estratégias e ferramentas para anúncios políticos do Brasil.
Essa entrevista faz parte do Coluna do Gianelli de hoje (14). Clique e confira






