Da redação
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstram preocupação com a consistência de sua pré-candidatura à Presidência, mesmo diante de expressivo desempenho nas pesquisas recentes. A apreensão foi registrada na última semana, após a divulgação de sondagens mostrando alta volatilidade no eleitorado, especialmente entre seus apoiadores.
O temor, conforme relataram interlocutores, é de que Flávio Bolsonaro repita trajetórias de outros candidatos que começaram fortes, mas perderam espaço durante a campanha. Nos casos citados, Ciro Gomes e Marina Silva iniciaram disputas presidenciais com projeção relevante, porém não mantiveram a mesma força nas urnas.
Ciro Gomes, então filiado ao PPS, em 2002 chegou a ser principal adversário de Lula, liderando pesquisas com até 28% das intenções de voto, mas terminou em quarto lugar, com 11,97%. Já Marina Silva, em 2014, assumiu a candidatura pelo PSB após a morte de Eduardo Campos, porém encerrou a disputa em terceiro lugar, com 21,32%.
A preocupação com Flávio Bolsonaro aumentou diante dos dados do levantamento Meio/Ideia, divulgado na semana passada, que apontou que 51,4% dos brasileiros admitem possibilidade de mudar de candidato até outubro, índice que atinge 60,4% entre eleitores do senador. Assessores avaliam que seu apoio ainda não está consolidado.
Segundo políticos próximos, embora Flávio tenha iniciado bem a pré-campanha, parte considerável do seu desempenho resulta do eleitorado do pai, Jair Bolsonaro. Esse vínculo impulsiona sua imagem, mas também evidencia fragilidades, especialmente em um cenário de fragmentação no campo conservador, onde concorre com outras pré-candidaturas.
A ascensão de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, junto ao núcleo duro do bolsonarismo, com posturas críticas ao STF, surge como fator de risco adicional para Flávio. Analistas consideram que a disputa acirrada na direita pode facilitar a reeleição de Lula ou favorecer candidatos mais alinhados ao eleitorado conservador radical.






