Da redação
Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), divulgado em parceria com a Organização Internacional para as Migrações, aponta que o Brasil é “ponto estratégico” no contrabando de migrantes nas dinâmicas internacionais, em razão da extensa fronteira e da política migratória acolhedora. O documento foi obtido recentemente e abrange 14 estados brasileiros.
Segundo o relatório, esses estados possuem rotas estruturadas tanto para brasileiros que tentam deixar o país, principalmente rumo aos Estados Unidos, quanto para estrangeiros que cruzam o Brasil em direção a outros destinos ou buscam trabalho por aqui. O país possui mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres e fluviais, facilitando a movimentação.
No Brasil, migrar de forma irregular não é crime, mas organizar, financiar ou lucrar com essas travessias configura delito. As redes investigadas relacionam-se a outras atividades criminosas, como falsificação de documentos e corrupção. Símbolos do funcionamento dessas redes incluem recrutadores, coiotes, falsificadores, transportadores e agentes logísticos, com funções intercambiáveis.
O recrutamento começa geralmente por indicação de conhecidos, mas o documento ressalta o crescente uso de aplicativos de mensagens e redes sociais. Plataformas como TikTok e Kwai vêm sendo utilizadas para promover, recrutar e comunicar migrantes. O Kwai informou que não permite divulgação ou facilitação de práticas ilegais e mantém mecanismos de detecção e denúncia.
Em relação aos destinos, estados como Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Rio Grande do Sul concentram migrantes em busca de emprego, sobretudo em setores com déficit de mão de obra. Já Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima servem sobretudo como corredor de passagem para migrantes que permanecem pouco tempo e seguem viagem a outros estados ou ao exterior.
Cidades de Minas Gerais, especialmente no Vale do Rio Doce, são principais polos de origem da migração irregular de brasileiros para os Estados Unidos, tendência que se expande para o Espírito Santo. As rotas podem custar até US$ 20 mil, incluem viagens de avião, deslocamentos terrestres e travessias clandestinas de fronteira, agravando a vulnerabilidade dos migrantes.






