Da redação
O bloqueio de navios no Estreito de Ormuz, decorrente do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã após ataques em fevereiro, reteve cerca de 20 mil marinheiros em 2 mil embarcações no Golfo Pérsico até o final de abril. O episódio expôs, segundo a Organização Marítima Internacional, a vulnerabilidade de navios e tripulações em disputas geopolíticas.
Arsenio Dominguez, secretário-geral da OMI, afirmou em entrevista que a atual crise mostra como embarcações e marinheiros se tornam “moeda de troca em disputas geopolíticas”. Ele destacou que a navegação comercial tem sido alvo de ataques, detenções e agressões injustificadas, ressaltando a fragilidade da liberdade de navegação nessas circunstâncias.
Segundo Dominguez, para proteger trabalhadores marítimos envolvidos em conflitos, o compartilhamento de informações é fundamental. Desinformação e dados incorretos dificultam o planejamento com base em riscos. Ele também defende a necessidade de avaliações rigorosas antes de travessias por áreas instáveis, ressaltando que escoltas navais não são solução sustentável.
O dirigente da OMI também lembrou eventos como o sequestro do Achille Lauro, em 1985, e o aumento da pirataria no Golfo de Áden e Guiné como marcos de preocupações históricas. Destacou a necessidade crescente de cooperação, capacitação e compartilhamento de informações para enfrentar ameaças, que atualmente incluem ataques cibernéticos e sabotagens a infraestruturas marítimas.
Dominguez citou desafios atuais como ataques de drones, sabotagem de cabos submarinos e vulnerabilidades em embarcações autônomas. Ressaltou que embarcações civis, com tripulantes de diversas nacionalidades, foram atingidas recentemente por projéteis em conflitos, mesmo não sendo consideradas alvos legítimos segundo o direito internacional.
A OMI atua promovendo a liberdade de navegação, apoiando estados na adoção de instrumentos de segurança e compartilhamento eficaz de informações. Entre os pontos estratégicos mencionados para o comércio global estão os canais de Suez e Panamá, além dos estreitos de Malaca, Bab el Mandeb, Istambul, Çanakkale e Ormuz, cujas interrupções impactariam a segurança alimentar e econômica mundial.






