Início Brasil Debatedores apontam risco de aumento tributário para esporte sem fins lucrativos

Debatedores apontam risco de aumento tributário para esporte sem fins lucrativos


Da redação

Projetos esportivos sem fins lucrativos podem ser impactados negativamente pela reforma tributária estabelecida nas leis complementares, que reduziram benefícios e incentivos ao setor. O alerta foi feito por debatedores durante audiência na Comissão de Esporte, realizada na terça-feira (28), para discutir as mudanças aplicadas às entidades esportivas.

De acordo com representantes de clubes, a tributação pode chegar a 11,6%, enquanto antes havia isenção de tributos federais. Eles argumentam que a Lei Complementar 224 de 2025 expôs essas entidades a uma carga maior do que a das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), que recolhem 6% sobre a receita bruta. A senadora Leila Barros (PDT-DF) destacou a assimetria tributária criada.

O presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Marco La Porta, lamentou a insegurança jurídica desde a entrada em vigor da reforma e afirmou que tais incertezas comprometem a continuidade dos projetos esportivos. “Não vai ser cortando do esporte que vão ser resolvidos os problemas tributários do Brasil”, declarou, defendendo a manutenção das condições atuais.

No mesmo sentido, José Antônio Ferreira Freire, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, apontou que a PEC da Segurança Pública ameaça recursos provenientes das apostas eletrônicas para o esporte, o que poderia levar a retrocessos no desempenho brasileiro nos Jogos Paralímpicos. Ele ressaltou dificuldades no planejamento devido a frequentes mudanças na legislação.

Roni Peterson Bernardino de Brito, da Receita Federal, afirmou que a legislação manteve incentivos ao setor esportivo, com redução de 60% nas alíquotas do IBS e CBS para atividades desportivas. Já a subsecretária Cláudia Lúcia Pimentel informou que doações às entidades podem ser deduzidas do Imposto de Renda, dentro de limites estabelecidos.

A audiência também tratou da redução gradual de incentivos fiscais, com corte de 10% no valor destinado por empresas ao esporte, o que demanda atenção à possibilidade de interpretações divergentes da lei. A reunião foi marcada por homenagem a Oscar Schmidt, ex-jogador de basquete, falecido no último dia 17.