Da redação
Pela primeira vez em uma década, o número global de pessoas deslocadas forçadamente diminuiu, atingindo 117,8 milhões em 2025, informou o relatório “Tendências Globais” divulgado nesta quinta-feira em Genebra pelas Nações Unidas. Segundo o documento, apesar da redução de 3% em relação a 2024, o total segue considerado alarmante.
O levantamento da Agência da ONU para Refugiados (Acnur) aponta que o recuo no deslocamento foi motivado especialmente pelo retorno às terras de origem e pela obtenção de cidadanias. No ano passado, 4,4 milhões de refugiados conseguiram voltar para seus países. Apesar desses avanços, a crise humanitária permanece em patamar considerado inaceitável.
Entre os deslocados, 41,6 milhões são refugiados, sendo que 40% são crianças. Em 2025, estima-se que 5,4 milhões de pessoas cruzaram fronteiras em busca de refúgio. Destes, 70% vivem no exílio há pelo menos cinco anos, principalmente em campos improvisados em países de baixa e média renda.
O Brasil se destaca como terceiro maior país anfitrião de deslocados na América Latina, abrigando 699 mil pessoas. É citado pelo Acnur como liderança na acolhida regional e registrou aumento de 11% nos pedidos de asilo individuais, com 75,6 mil solicitações. Em ações relacionadas, foram documentados mais de 32,2 mil nascimentos, garantindo direitos básicos.
Mesmo com a queda global, conflitos como a guerra civil no Sudão provocaram deslocamento de 9,1 milhões de pessoas apenas naquele país. Colômbia, Síria, Iêmen e Afeganistão seguem entre as nações com maiores populações deslocadas. Adicionalmente, a guerra no Irã e a crise no Líbano causaram novos fluxos significativos.
O relatório destaca ainda a situação dos apátridas, com milhões de pessoas sem nacionalidade reconhecida, sendo a minoria rohingya de Myanmar o maior grupo. Em 2025, somente 46 mil rohingya obtiveram cidadania. O número de refugiados reassentados chegou a menos de 188 mil, e a ONU pede mais rotas legais e seguras de migração.





