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Aliados de Lula acionam Justiça Eleitoral para barrar filme sobre Bolsonaro durante campanha presidencial

Por Alex Blau Blau

Ação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral aponta suspeitas sobre financiamento milionário da produção e pede suspensão da estreia até o fim das eleições de 2026

Integrantes ligados ao campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiram recorrer à Justiça Eleitoral para tentar impedir o lançamento do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória política do ex presidente Jair Bolsonaro. A estreia está prevista para setembro, às vésperas da eleição presidencial de 2026.

A ação foi apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral por representantes do grupo Prerrogativas e pelo deputado federal Rogério Correia. O pedido inclui a abertura de investigação sobre os recursos utilizados na produção cinematográfica, que teria recebido aporte milionário do empresário Daniel Vorcaro.

Os autores do processo sustentam que o longa pode funcionar como instrumento de propaganda política em benefício do campo bolsonarista durante o período eleitoral. Segundo a representação, o lançamento próximo ao pleito teria potencial de influenciar o debate público por meio da ampla divulgação em cinemas, plataformas digitais e redes sociais.

A ofensiva judicial ocorre após a divulgação de mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro e ao empresário, nas quais seriam discutidos repasses financeiros relacionados ao filme. O episódio provocou forte repercussão política e abriu novas pressões sobre a pré candidatura do parlamentar à Presidência da República.

No documento encaminhado ao TSE, os advogados afirmam existir indícios de abuso de poder econômico, financiamento irregular de campanha, lavagem de dinheiro e uso indevido dos meios de comunicação. Também foi solicitado que órgãos de investigação financeira e criminal sejam comunicados para aprofundar a apuração do caso.

Os autores da ação lembram ainda uma decisão tomada pela própria Justiça Eleitoral em 2022, quando foi suspensa a divulgação de um documentário sobre o atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial daquele ano. Para os aliados do governo, o precedente pode servir de base para barrar “Dark Horse”.

A defesa do grupo bolsonarista, por outro lado, aposta em diferenças entre os dois episódios. Entre os argumentos apresentados está a mudança na composição do Tribunal Superior Eleitoral e o entendimento de que a obra cinematográfica não teria alcance equivalente ao de eventos transmitidos em televisão aberta.

Nos bastidores, aliados de Flávio Bolsonaro afirmam que o filme teria alcance restrito ao público interessado na temática política e consideram improvável uma decisão que impeça a exibição da produção antes das eleições.

“Dark Horse” é estrelado pelo ator Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro e promete retratar momentos marcantes da trajetória política do ex presidente, incluindo o atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018. Também estão previstos personagens inspirados em integrantes da família Bolsonaro.

A controvérsia amplia o ambiente de tensão política em torno da corrida presidencial de 2026 e pode transformar o caso em mais uma disputa de grande repercussão na Justiça Eleitoral ao longo da campanha.