Da redação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, conforme decisão tomada na manhã desta terça-feira (8). A ordem foi referendada por maioria na Segunda Turma do STF, com votos favoráveis de Nunes Marques e Luiz Fux, enquanto o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. O afastamento foi motivado pela elaboração de um relatório interno da Polícia Federal que fundamentou o pedido do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para investigar Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade quanto aos inquéritos do Banco Master e do Instituto Nacional do Seguro Social.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuem à decisão de Mendonça a intenção de envolver o governo federal na crise do STF em meio à campanha eleitoral, afirmando tratar-se de uma “armadilha política”. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), declarou nas redes sociais que a medida “é descabida e uma intromissão onde não lhe cabe”, avaliando haver motivação eleitoral na decisão e cobrando providências do Supremo. Governistas do Senado avaliam que a iniciativa de Mendonça pressiona o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para analisar pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.
A oposição, por sua vez, vê na decisão a confirmação do que considera aparelhamento da Polícia Federal. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da oposição, declarou que a medida “aprofundou o problema para eleição de Lula” e reforçou que Andrei Rodrigues “era indicação dele”. Auxiliares do governo afirmam que a gestão petista avaliará, através da Advocacia-Geral da União, um recurso contra a decisão de Mendonça e discute estratégias para responder à crise, incluindo a possibilidade de apontar que Mendonça busca impedir as investigações do caso Master.
O embate reacendeu tensões históricas entre Mendonça e Moraes no Supremo, em meio a investigações sobre o Banco Master. Segundo aliados do governo, o afastamento de Andrei indica que o inquérito pode avançar sobre figuras como Davi Alcolumbre. Alexandre de Moraes, indicado ao STF por Michel Temer em 2017, já foi alvo de investigações conduzidas por Mendonça e estaria ligado ao escândalo envolvendo o Banco Master, incluindo supostas mensagens trocadas com o ex-controlador Daniel Vorcaro.




