Da redação
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de afastar Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal elevou a tensão no Senado, conforme parlamentares ouvidos. Senadores da oposição avaliam que o episódio fortalece a mobilização pelo impeachment de Alexandre de Moraes, também do STF, mas consideram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), “irredutível” em avançar sobre o tema antes do fim das eleições.
Entre os oposicionistas favoráveis ao afastamento de Moraes, a interpretação é de que Alcolumbre já deixou claro como pretende manejar a crise, ao ter provocado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em resposta à cobrança sobre o tema. Na ocasião, Alcolumbre citou os repasses de Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, da cinegrafista de Jair Bolsonaro.
De acordo com os relatos, Alcolumbre também teria sinalizado, nos bastidores, que pode abrir um processo de impeachment contra André Mendonça caso a oposição insista em pautar o afastamento de Moraes. Parlamentares da oposição destacam a postura tradicionalmente resistente do Senado a intervenções sobre o Supremo Tribunal Federal, relembrando a aproximação de Alcolumbre com ministros do STF em eventos públicos.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou: “Existe uma blindagem do presidente do Senado com os ministros do Supremo muito clara. Essa postura mostra um Senado prostrado, completamente a serviço dessa autoblindagem. Eu acho que ele [Alcolumbre] tem que ser afastado também”, conforme declarações. A previsão predominante entre oposicionistas é de que nenhuma medida será pautada contra ministros do STF antes das eleições, mas avaliam que esse cenário pode mudar caso a crise entre Mendonça e Moraes evolua.




