Da redação
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou nesta quinta-feira a primeira ação da operação Compliance Zero envolvendo um congressista, no âmbito do processo sobre o banco Master. A decisão ocorre a menos de cinco meses do primeiro turno das eleições e intensifica o debate político em Brasília.
A medida foi tomada após a Polícia Federal apresentar informações sobre ligações de parlamentares com os fatos investigados. A decisão de Mendonça amplia as discussões entre governo e oposição e traz o tema para o centro das campanhas eleitorais. Os dois lados já utilizam o caso para fortalecer suas estratégias políticas.
Aliados do governo veem na atuação de Mendonça uma forma de enfraquecer a narrativa oposicionista de suposta parceria entre STF e Planalto na perseguição de ex-integrantes do governo Bolsonaro. A oposição, por sua vez, defende que as investigações avancem sobre pessoas próximas ao presidente Lula, que teriam relação com Daniel Vorcaro, incluindo o ex-ministro Ricardo Lewandowski, Jaques Wagner (PT-BA) e o ministro Dias Toffoli.
O perfil de Mendonça, que foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro e que ocupou posições como chefe da Advocacia-Geral da União e ministro da Justiça, repercute no contexto político. Mendonça foi colega do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, durante o governo Bolsonaro. Nogueira teve atuação destacada nas articulações que reforçaram o poder do Centrão no Congresso e criaram o modelo conhecido como “orçamento secreto”.
Mendonça assumiu a relatoria do caso após a desistência do ministro Toffoli, que deixou o processo pressionado por ligação com um grupo relacionado a Vorcaro. Ao autorizar buscas e retirar o sigilo das investigações, Mendonça sinalizou no despacho desta quinta-feira a condução do caso no espírito de “doa a quem doer”.
Segundo a jornalista Malu Gaspar, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), teria relatado ao presidente Lula sua percepção de perseguição pela Polícia Federal. O presidente teria respondido que não tem controle sobre a PF, o Ministério Público Federal ou o STF.







