Da redação
A poucos dias da eleição presidencial, Marcus Pestana, economista e diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal, avalia que há clima de apatia generalizada entre eleitores e candidatos, com baixo engajamento nas ruas e escassez de debates relevantes sobre os rumos da economia brasileira.
Segundo Pestana, apesar dos avanços nas últimas décadas, o país permanece com crescimento econômico reduzido, desigualdade acentuada e dificuldades para formar consensos em decisões estruturais. O economista afirma que o principal problema é o desequilíbrio fiscal, considerado por ele como o maior entrave à construção de uma trajetória de desenvolvimento sustentável.
Conforme Pestana, os candidatos à Presidência da República não detalharam como enfrentar o déficit primário, estimado em R$ 60 bilhões e agravado nos próximos anos. Ele aponta quatro sintomas do desarranjo fiscal: déficits primários recorrentes desde 2014, aumento da dívida pública, orçamento rígido e baixo investimento público, o que compromete a capacidade do Estado de fomentar o crescimento.
Pestana compara o desempenho brasileiro ao da Coreia do Sul, cujo PIB per capita é três vezes maior, e destaca que o investimento público no Brasil, especialmente em infraestrutura e inovação, é insuficiente. Segundo o economista, a carga tributária elevada e o orçamento engessado comprometem o crescimento, e a situação exige ajuste fiscal profundo no próximo governo.





