Da redação
Dandara Araújo da Silva, engenheira nuclear da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), trabalha em Viena, na Áustria, após estudar no Brasil e na França. Aos 30 anos, ela contou sua trajetória ao Podcast ONU News. Silva nasceu em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Aos 15 anos, escolheu Edificações em uma escola técnica e depois cursou engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O trajeto até a faculdade levava ao menos uma hora e meia; ela ficava na universidade das 8h às 21h para evitar o trânsito na volta.
Na infância, ouviu insultos racistas relacionados à aparência, ao nome, à cor e à origem humilde. Os pais, Reginaldo e Magali, chegaram a reclamar à direção da escola. Silva lembra que eles a incentivavam: “você pode ir longe”.
Depois da graduação, aprendeu francês sozinha e obteve uma bolsa para estudar na França, onde trabalhou por anos. Naturalizada francesa, concorreu a uma vaga de Profissional Júnior, posto patrocinado pelo governo francês para jovens em organizações internacionais. A oportunidade a levou à Aiea.
A presença feminina ainda é baixa em áreas científicas e tecnológicas. No mundo, 35% das meninas se formam em ciências, e mulheres representam 22% dos profissionais de inteligência artificial. No setor quântico, menos de 2% dos candidatos a vagas são mulheres; mais de 80% das empresas da área são lideradas por homens.




