Início Brasil Apreensão de canetas emagrecedoras cresce 1.000% em Foz do Iguaçu em 2024

Apreensão de canetas emagrecedoras cresce 1.000% em Foz do Iguaçu em 2024


Da redação

Medicamentos emagrecedores são o novo foco de contrabando na fronteira de Foz do Iguaçu (PR), com apreensões em forte alta neste início de 2024. Segundo a Receita Federal, a entrada irregular desses produtos ocorre principalmente por causa da restrição da Anvisa e do preço mais baixo no Paraguai.

A Alfândega registrou aumento expressivo nas apreensões: de janeiro a maio de 2023, foram confiscadas 7.479 unidades, enquanto, no mesmo período de 2024, o número saltou para 79.837 unidades. Conforme explicou o chefe da Alfândega, Cezar Vianna, “este incremento de 1.000% nas apreensões em um ano é totalmente atípico”.

A procura por essas canetas e ampolas, adquiridas no Paraguai com valor 69% inferior ao do Brasil, impulsiona a ilegalidade. Após as restrições impostas pela Anvisa para determinadas marcas, as apreensões em Foz do Iguaçu tornaram-se diárias. O transporte das ampolas ocorre de forma camuflada em roupas, caixas térmicas e até potes de doce de leite.

Diversos veículos são utilizados, incluindo motocicletas, automóveis, ônibus de turismo e de linha, além de carros de luxo como BMW, Land Rover e Mercedes, onde já foram localizadas ampolas em fundos falsos. Servidores também relataram ter encontrado medicamentos escondidos em compartimentos de ônibus e até dutos de ar-condicionado.

O contrabando envolve estudantes de Medicina, famílias que viajam de férias e conhecidos “laranjas”, todos atuando para abastecer pontos específicos em Foz do Iguaçu. Um carregamento de 50 ampolas pode chegar a valer até R$ 18 mil no Brasil. Entretanto, o transporte ignora normas sanitárias e põe em risco a eficácia dos produtos.

A Receita Federal calcula conseguir apreender apenas cerca de 5% da mercadoria irregular. Medicamentos retidos ficam armazenados temporariamente até a conclusão do processo administrativo, sendo então enviados a Goiás para destruição. A Dinavisa, do Paraguai, alertou em maio para marcas sem registro e com possíveis riscos à saúde.