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Aprovação de Lula é a mais impactada por inflação e desemprego desde 1996


Da redação

A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu terceiro mandato, é a mais impactada pela variação de inflação e desemprego entre os presidentes brasileiros das últimas três décadas, segundo estudo do economista Sergio Vale, da MB Associados. De acordo com o levantamento, Bolsonaro é o menos sensível a essas oscilações, apesar da deterioração dos indicadores durante a pandemia.

A análise cruzou o chamado índice da miséria, que soma o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) à taxa de desemprego, com as taxas mensais de aprovação de cinco presidentes em nove mandatos. Nos dados de Lula, cada aumento de um ponto no índice da miséria altera a aprovação em 5,8 pontos percentuais em 12 meses, aproximadamente quatro vezes mais do que no governo Bolsonaro. Especialistas atribuem esse cenário à expectativa concreta dos eleitores em relação à melhora material sob Lula, segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria.

O contexto atual favorece Lula pelo menor nível do índice da miséria em trinta anos, mas há a preocupação de alta da inflação. Nos dois primeiros mandatos, a suscetibilidade do presidente era menor, com variação de 3,7 pontos de aprovação para cada ponto no índice. De acordo com o coordenador de índices da FGV, André Braz, a inflação em 12 meses atingiu 4,8% na primeira metade de junho, enquanto o desemprego ficou em 5,6% no trimestre até maio, o menor patamar já registrado.

O estudo prevê que, mantida a tendência do índice da miséria, Lula deve chegar ao período eleitoral com aprovação entre 44% e 47%. Eventuais choques externos, como alta no petróleo, podem reduzir esse patamar para faixa entre 38% e 42%. Outros fatores destacados por especialistas são o aumento dos gastos públicos, estímulos ao consumo e a forte polarização política, que também impactam a avaliação do governo.