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Apuração sobre morte do cão Orelha avança com depoimentos, mas enfrenta falta de provas


Da redação

A investigação sobre o ataque ao cão Orelha, ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis (SC), enfrenta dificuldades devido ao baixo número de registros do caso. A Polícia Civil pretende concluir até quinta-feira (5) a coleta dos depoimentos dos adolescentes investigados pelo crime, que aconteceu em 4 de janeiro e resultou na morte do animal no dia seguinte.

Os suspeitos foram identificados a partir da análise de imagens de 14 câmeras de segurança e dos relatos de moradores locais. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, apesar da existência de cerca de mil horas de vídeos, nenhum registro aponta maus-tratos a Orelha; o material captou apenas uma tentativa de afogamento de outro cão, Caramelo, que sobreviveu. No início, quatro adolescentes eram investigados, mas um foi retirado do caso e passou a ser considerado testemunha após apresentação de provas de que não estava na praia na data dos fatos.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em 26 de janeiro nos endereços dos investigados, e três adultos — dois pais e um tio dos jovens — são alvos de investigação por suspeita de coação de testemunhas. A defesa de dois dos adolescentes sustenta a inocência deles e denuncia linchamento virtual, alegando que as investigações começaram após o porteiro do condomínio divulgar imagens dos jovens supostamente envolvidos em vandalismo, não na agressão ao cão. O funcionário afirmou à polícia não ter presenciado maus-tratos.

O caso desencadeou protestos por justiça em cidades como São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre e Vitória. A condução das investigações foi criticada, inclusive pelo delegado-geral Ulisses Gabriel, que negou relação com desafios online e afirmou não conhecer os suspeitos. Ulisses também rebateu acusações de oportunismo político e declarou que irá acionar judicialmente quem afirmar vínculo com advogados do caso.